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| Rubens Alves entrevista Max numa cervejaria |
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Pensei,
inicialmente, que uma variação sobre o prazer, a
ser composta por economistas, banqueiros e homens
de negócios, deveria ser executada tendo como
instrumento musical as caixas registradoras, das antigas
e das modernas. As antigas, por seus sons metálicos e
suas teclas que nos fazem lembrar de órgãos, cravos e
pianos. Também as manivelas, que um lutier habilidoso
poderia transformar numa
"viela de roda", instrumento medieval
que não mais se usa,
mas que pode ser visto em museus e em telas de Brueghel. As caixas registradoras modernas e
seus sons eletrônicos
fariam inusitados
duetos com as vielas medievais, atestando assim o
fato de que o dinheiro possui os atributos da divindade:
ignora o tempo, é eterno. Tudo isso acompanhado por
pandeiros, cujos sons fazem lembrar o tilintar do
dinheiro... E os ritmos seriam sincopados e rápidos,
como contraponto às extra-sístoles e
taquicardias que marcam
o mundo das bolsas de valores. Pensei
que isso estaria em harmonia com a estética dos
economistas. A maioria, de fato, concordou comigo. Mas
houve um que protestou: era
um velho de cabeleira e barba imensas, que fazia
lembrar Walt Whitman. Encontrei-o, por acaso,
assentado sozinho à mesa de um bar que eu freqüentava.
Bebia cerveja e fumava charuto. O fato de estar sozinho
sugeria que se tratava, provavelmente, de um
intelectual decadente ou aposentado. Assentei-me
à sua mesa. Ele começou
a falar. Contou-me
que seus discípulos o haviam abandonado. É
comum que os filhos venham a se envergonhar dos pais.
Isso acontece quando os pais,
com o passar dos anos,
vão ficando velhos. Com a velhice vem a verdade:
com o enfraquecimento dos mecanismos de censura
os pais, outrora recatados e pudicos,
começam a revelar um erotismo jamais imaginado,
para vergonha dos filhos. Velhos não devem ter
erotismo. Os
filhos, então, não mais querem saber da sua companhia. Às
vezes acontece o contrário: os filhos se envergonham
daquilo que os pais já foram, e tratam de
separar o seu presente respeitável do seu passado
duvidoso. Alguns chegam ao extremo de queimar arquivos
fotográficos. "
- Você está enganado sobre a economia",
ele me disse em voz baixa. Parecia temer que alguém o
ouvisse, como se estivesse dizendo uma heresia.
" A
economia não é a ciência das caixas registradoras, do
dinheiro. Sei que, para muitos, é isso que ela é. Mas
para mim é uma outra coisa: é
a ciência do prazer. Dizer que a economia é a
ciência do dinheiro é o mesmo que dizer que a culinária
é a ciência das panelas. Alguns pensam que sou um
economista como os outros
porque dediquei grande parte da minha vida ao
estudo do maior jogo de dinheiro jamais havido na história.
Mas, se eu o fiz, foi porque eu queria decifrar os
descaminhos do prazer. Estudei a panela para saber o que
estava acontecendo de errado com a comida. Eu acho que o
objetivo da vida é o prazer. Isto está inscrito em
nossos próprios corpos. Nossos corpos não são
máquinas produtivas - não pertencem inteiros a "
Feira das Utilidades". Sim, é claro, trabalhamos,
produzimos. Mas somos diferentes
dos animais. “Os animais constroem somente de
acordo com as padrões e necessidades da espécie. Os
homens constroem também de acordo com as leis da beleza
(Marx’s concept of man, Erich Fromm, New
York, Frederick Ungar Publishing Co.,
1964, “Manuscritos econômicos e filosóficos”,
p. 102 ). Gostamos
dos livros, mesmo quando não derivamos de sua leitura
nenhum resultado prático. O corpo contém
uma certa exigência de "prazer inútil” –
sem valor econômico.
Desde jovem sonhei
com uma condição em que o trabalho, à semelhança
daquilo que acontece com os artistas, pudesse ser um
motivo de prazer. O trabalho não apenas como meio de
vida, mas o trabalho como brinquedo. As crianças
brincam por puro prazer. Imaginava uma situação em que
os homens, ao terminar o seu
trabalho, sorririam de felicidade, e veriam o seu
próprio rosto refletido em sua obra, da mesma forma
como Narciso via o seu rosto refletido na água
da fonte. (
Ibid. p.102 ) Veja,
por exemplo, os sentidos! Que prazeres extraordinários
eles nos dão! É verdade que em sua condição bruta os
sentidos somente atendem às necessidades elementares da
sobrevivência. Um homem faminto não é capaz de fazer
distinções sutis entre gostos refinados: angu ou
lagosta - é tudo a mesma coisa. Saindo dessa condição
bruta de existência, entretanto, os sentidos se
refinam, desenvolvem-se, tornam-se sensíveis a prazeres
que até então lhes eram desconhecidos.
O grande trabalho da história, até agora, tem
sido a educação dos sentidos. A história impulsiona o
corpo humano na direção de uma exuberância dos
sentidos cada vez maior. A história conspira para que
os homens sejam cada vez mais felizes.
“O
cultivo dos cinco sentido é o trabalho de toda a história
passada” . (
Ibid. p. 134 ) Eu
entendo que a economia é a ciência dos meios
necessários à realização erótica dos homens. Como
tal, ela pertence à "Feira das Utilidades". A
economia é um instrumento para que os homens cheguem à
" Feira da Fruição". O
que atormenta o meu pensamento”, ele continuou, “ é
uma contradição: a
economia explica
a riqueza das nações. Mas ela
não consegue dar uma explicação aceitável
para a miséria
e a pobreza dos
homens. Meu
pensamento oscilava: num momento eu
sonhava os
sonhos mais loucos e utópicos: eram esses sonhos que eu
queria ver realizados. Imaginava que os homens, um dia,
conseguiriam arrebentar as correntes que os prendiam, e
que podereiam então colher a flor viva da vida, , tão
próxima das suas mãos. (Que ninguém nos ouça: eu
procurava o caminho de volta ao
Paraiso. Como
poderia eu
me esquecer do grande mito com que a Torah, livro
sagrado do meu povo, se inicia?) Num
outro momento meu pensamento deixava de sonhar e se
voltava para as condições materiais da produção da
história. Não que eu me esquecesse dos meus sonhos. Eu
procurava a ciência como meio para a sua realização.
Estudava as panelas e o fogo por amor à moqueca...
Voltei-me para a história por acreditar que, sendo nela
que a pobreza e a miséria dos homens era produzida,
seria nela que elas seriam superadas. Se os
problemas dos homens são criados na história, teria de
ser nela que eles seriam resolvidos. Para se desfazer o
nó é preciso saber como ele foi produzido. A atividade
dos homens para produzir a sua vida - a isso eu dei o
nome de praxis.
Dei-me conta de que a teologia e as religiões, ao pregar que
a história acontece pela atividade de Deus, impedia que
os homens a compreendessem como resultado de sua própria
atividade. As religiões, assim, têm um duplo efeito. O
primeiro é a paralisia da inteligência dos homens. Se
tudo acontece pela vontade de Deus então é inútil
tentar entender a história como produto das ações dos
homens. O segundo é a paralisia moral. Se tudo acontece
pela vontade de Deus, tudo é sagrado. E eu via os miseráveis
operários sacralizando a sua miséria com o dito
conformado: “ Deus quis...” A
história não se faz só com sonhos. Quem sonha com um
banquete há de dominar
a ciência das panelas e dos fogos.
Tornei-me inimigo dos sonhadores ingênuos que
pensavam que bastaria que os homens mudassem as
suas idéias para que o mundo mudasse também. Moquecas
não se fazem só com idéias e intenções.
Quem quer mudar o mundo tem de ser um
especialista no uso do fogo. Na história, esse uso do
fogo tem o nome de política... Não
estranhe o meu uso das imagens culinárias. Só me
atrevo a fazer uso delas longe dos intelectuais, nessa
mesa de bar... Em um contexto acadêmico eles diriam que
eu devo estar bêbado ou senil.
Aqui eu posso me dar ao luxo de falar como um poeta.
Aprendi muito com eles.
Durante um certo tempo, inclusive,
eu convivi com um intelectual maldito
( ah! como os malditos são maravilhosos!). Sua
filosofia tinha a beleza da poesia. Lê-lo era um
deleite. O insólito dos seus conceitos se misturava com
a beleza das suas imagens. Foi ele que chamou a minha
atenção para a importância dos sentidos. O seu nome já
tinha algo de culinário, fogo, "Ribeiro de
Fogo", Feuer / bach.
E culinária
também era a sua metafísica, pois que se comprazia
em dizer que " somos o que comemos".
Na minha juventude fui seu discípulo, e
sob a sua influência escrevi
textos saborosos... O que, para os intelectuais,
é sempre um pecado. Eles pensam que a verdade deve ser
insípida. Essa
relação, depois que envelheci, passou a ser um
motivo de embaraço para os meus seguidores.
Causava-lhes mal-estar imaginar que eu havia sido
influenciado por ele.
Trataram, então, de queimar o arquivo.
Desqualificaram os textos que eu escrevera, sob a alegação
de que, ao
escrevê-los, eu
era jovem demais, imaturo,
ainda não descobrira o caminho da
ciência, e
falava com as
palavras imprecisas
da filosofia. Espalharam,
então, que tal fase perturbada havia terminado com uma
tal "cesura epistemológica"
expressão que, traduzida, quer dizer: de
repente, como uma cigarra
que passa por uma metamorfose e deixa a casca, ele
deixou a sua casca filosófica em algum lugar e
se pôs a voar com as asas da ciência.
Era de um jeito, ficou de outro. Falava sobre os homens, passou a falar sobre
estruturas. Era
humanista, virou estruturalista. E chegaram mesmo a
dizer que, para ler os meus escritos, era preciso ter
sempre em mente um rigoroso anti-humanismo metodológico.
Estruturalista! Sim, é verdade que o capital funciona
como uma estrutura. Como se fosse uma máquina, com suas
leis próprias. Mas
se eu assim o estudei,
é porque eu queria desvendar o segredo dessa
cozinha perversa onde os cozinheiros ficavam sempre com
fome. Com
essas palavras ele bebeu o que restava na caneca,
enxugou a espuma do bigode, pediu outra cerveja,
reacendeu o charuto que se apagara, enfiou a mão no
bolso do paletó zurrado, tirou de lá um livrinho e me
deu com estas palavras: " A alegria é a prova dos
nove. Esse livrinho fala sobre isso... “ Manuscritos
Econômicos e Filosóficos de 1844: esse era o título.
Autor: Karl Marx. Fez-se
silêncio. Comecei a lê-lo. À medida que virava as páginas
eu não conseguia evitar as traduções culinárias que
o texto me sugeria. Era como se a conversa não tivesse
acabado, como se ele ainda continuasse ali, ao meu lado,
falando. Primeiro
manuscrito: " O Trabalho Alienado":
" Mas que história é esta? O trabalhador
faz a comida e é um outro que come tudo, só lhe sobrando a raspa da panela?" Segundo
manuscrito: “Propriedade Privada”:
" Mas claro! Tem de ser assim. O operário
come a raspa porque ele não é o dono da panela. Quem
é dono come a comida. Quem não é dono come o que
sobra." Terceiro
manuscrito: "Que perversa transformação esta
cozinha opera sobre os que comem da sua comida! Os
homens são roubados dos seus sentidos, perdem a
capacidade de sentir prazer!" Perguntem
à Babette qual é o fim da culinária... Ela responderá:
" O prazer, a alegria!" E, para dar prazer e
alegria ela gastou
tudo o que tinha. Ficou mais pobre de dinheiro. Ficou
mais rica humanamente! Perguntem
ao dono do restaurante qual é o fim da culinária. Ele
responderá: " O lucro". Claro que mesmo nos
restaurantes capitalistas se serve o prazer dos
sentidos. Mas a mola propulsora do "negócio"
não é o prazer da comida; é o prazer da caixa
registradora. Ah! Como é maravilhosa aos ouvidos do
proprietário a sua música! Vá a um banco, vá a uma bolsa de valores! Lá,
por acaso se fala sobre os prazeres gastronômicos? De
forma alguma. Lá se fala sobre o prazer que se tem num
jogo abstrato que se joga sobre a lógica do verbo
"ter". Aí
ele interrompeu a minha leitura e continuou. “Veja:
eu não estou dizendo que os indivíduos não mais
sintam prazer. Há, no capitalismo, prazeres refinados,
e muitos. Estou dizendo outra coisa: que dentro da sua lógica,
dentro da "razão capitalista", os prazeres não
contam. Eles não são tomados em consideração, não são
pensados como ponto de chegada da viagem. Para o
capitalismo o objetivo da viagem é um só: o lucro. E,
assim, dentro da lógica do sistema, os restaurantes e
as fábricas de armas estão no mesmo nível, são peões
do mesmo jogo de xadrez. Ninguém, no pregão da bolsa
de valores, se pergunta sobre quais ações estão
ligadas às empresas que dão mais prazer. Quem fizer
isso logo ficará pobre. A lógica
do jogo do dinheiro exige que os prazeres dos
sentidos sejam desconsiderados. Esse jogo perverso nos
tornou " tão
estúpidos e parciais que somente consideramos nosso um
objeto quando o possuimos,
quando ele é utilizado de alguma forma. Assim,
todos os sentidos físicos e espirituais são
substituidos pela simples alienação de todos esses
sentidos, ou seja, pelo sentido da posse(...) Quanto
menos você comer, beber, comprar livros, for ao teatro,
aos bailes, às boates, quanto menos você
pensar, amar, teorizar, cantar, pintar, tanto mais você
será capaz de economizar e tanto maior será o seu
tesouro. Quanto menos você for, tanto mais você terá..."
( Ibid. p. 132 ). O
capitalismo só conhece as coisas passíveis de serem
transformadas em mercadorias, isto é, coisas que podem
ser fabricadas, vendidas e compradas. Mas o prazer não
é dado automaticamente pelo ter. Posso ter o mais fantástico
aparelho de som e a maior coleção de CDs. O prazer
dependerá de uma qualidade espiritual minha, do meu
ser, uma sensibilidade para a música, que não pode ser
comprada por dinheiro. É preciso que os sentidos sejam
educados! O
prazer e a alegria crescem de uma relação erótica com
o objeto, isso que se chama amor. E essa relação não
pode ser comprada.
Cresce de dentro. O
espírito do capitalismo dominou de tal forma a cabeça
das pessoas que até mesmo aqueles que se dizem meus
discípulos foram enganados. Veja o caso da educação.
Os professores de "esquerda" têm medo dessa
palavra "amor", e a julgam babaquice romântica.
De fato, "amor" é coisa que a ciência não
consegue pensar. Preferem, os professores, considerar-se
"trabalhadores" que ganham pelas
"mercadorias intelectuais" que produzem de
forma competente, sob a forma de um saber. Como
professor produzo tal mercadoria que vale tanto. Ignoram
que isso é o que sempre detestei! Ao assim pensarem o
ensino, eles o inserem na perversa lógica dos
"valores de troca". Valor de troca é uma
"quantidade abstrata" que mora tanto num
revolver quanto num jantar, e que permite essa equação
horrenda, base de todo o jogo econômico: "X"
jantares = "Y" revólveres. O prazer e a morte
são a mesma coisa... E em
qual escola se gasta tempo na educação dos sentidos?
Bobagem. Isso é coisa da " Feira da Fruição"
- não circula no sistema. O que importa é a "
Feira das Utilidades" - seus saberes úteis,
transformáveis em mercadoria, passíveis de circular no
mercado de trabalho. Por que gastar tempo no
desenvolvimento das inúteis potencialidades do ser, na
educação dos sentidos para os prazeres inúteis,
insignificante do ponto de vista econômico, se os
corpos podem ser transformados em unidades de produção.
O que é um profissional? É um corpo, outrora portador
de sentidos, que se transformou em ferramenta,
utilidade. " Quanto menos você for, mais você terá..." Mas
o que me entristece é que meus discípulos não
entenderam nada do que eu disse.
Acharam que prazer é coisa burguesa - como se os
trabalhadores não gostassem de comida boa,
de cerveja e de transar. Droga!
Ficaram mais próximos do papa do que de mim.
Meus discípulos ficaram com medo de que eu fosse
considerado um babaca romântico. Transformaram-me num
rigoroso economista. Um economista, de fato, vale muito
mais como
"mercadoria" que um poeta romântico. Num
"curriculum vitae" se pode escrever:
"Profissão: economista". Mas só um
louco colocaria " poeta romântico". Românticos
não são mercadorias, não arranjam empregos... Estudei
a panela por causa da moqueca. Estudei o violão por
causa da música. Estudei o trabalho por causa da
felicidade. Estudei o capitalismo por causa do prazer. Aquela
sua idéia de tocar a economia com caixas registradoras
e pandeiro, música
tocada em movimentos rápidos e ritmos sincopados, a
performance acontecendo em bancos e bolsas de valores:
isso não tem nada a ver comigo. O dinheiro tem de ser
subordinado ao prazer, a utilidade tem de estar a serviço
da alegria. Será que isso é possível? Ou será só um
sonho? Bem sei que os experimentos fracassaram. E nem
poderia ser de outra forma. Os novos cozinheiros não me
entenderam: só
trocaram o formato das panelas e o livro de receitas,
substituindo o poder abstrato do dinheiro pelo poder sem
face da burocracia. Minha esperanca era de que nesse
caldeirão chamado história, fervente ao fogo da dialética,
se consumasse o preparo do prato escatológico do
prazer: a educação dos sentidos e a produção do
banquete, para todos. O
sonho não morreu. Ele continuará, para sempre. Pensei
que ele morasse no coração da história. Pensei que a
história tivesse coração. Talvez eu tivesse me
enganado. Os sonhos só moram no coração dos homens.
Somos incuravelmente românticos.
Os homens haverão sempre de sonhar com o prazer
e a felicidade. Por
isso, eu preferiria que a "variação" que me
cabe fosse tocada suavemente, ao violino, como fundo
para um jantar à luz das velas, onde o amor e o prazer
são servidos gratuitamente, e o corpo, embriagado de
alegria, se pusesse a sonhar... Os membros do partido e
as esquerdas vão me reprovar, e
dizer que isso não combina com minha conhecida
solidariedade operária. Eles não entendem. Pensam que
ser solidário com pobre é gostar de pobreza. Ser solidário
com pobre é sofrer a pobreza deles e sonhar
sonhos de prazer e riqueza.
Os sonhos são sempre a subversão da realidade.
Trabalhador não sonha com angú e feijão - não é preciso sonhar, para isto basta
abrir os olhos. Trabalhador sonha é com coisas bonitas
e gostosas. Bem
que gostariam de comer o que comem os patrões, e não só
a raspa da panela.
Está lá dito pelo Vinícius, no "Operário
em Construção". Porque, como disse muito bem o Joãozinho
Trinta, "quem gosta de pobreza é intelectual.
Pobre mesmo, gosta é de riqueza..." Ditas
essas palavras ele esvaziou a caneca de cerveja, apagou
o charuto fedorento no cinzeiro, e se foi.
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