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| Quarto de badulaques (XXXVII) |
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Crianças!
Um amigo meu, Eloi Zanetti, escreveu uma estória
muito gostosa com ilustrações muito bonitas. Tão
gostosa que quero compartilhar com vocês. A estória se
chama O nó do afeto. É assim. “ Era uma vez um homem que tinha de trabalhar muito para dar conta do
sustento da sua família. Este homem tinha um filhinho
que gostava muito dele. E vice-versa. Isto é, um
gostava muito do outro. Na maioria das vezes eles só se
encontravam nos fins de semana. Aí, sim, era uma festa
só: andavam de bicicleta, iam aos parques, passeavam
e...davam banho no cachorro. Faziam tudo o que um pai e
um filho que se gostam fazem juntos, até pescar, mesmo
que no rio não tivesse muitos peixes, só o suficiente
para uma criança pegar, fotografar ... e depois soltar.
Este homem durante a semana sentia muita tristeza por não
poder ver o seu filho acordado, porque quando ele saia
para trabalhar, bem cedinho, o menino ainda estava
dormindo, e quando chegava do trabalho, à noite, o
garoto já tinha ido dormir. Incomodado com isso, o
homem inventou uma maneira de dizer ao seu filho o
quanto gostava dele e que todas as noites ia vê-lo
enquanto dormia... e, é claro, fazia uma oração ao
lado da sua cama, pedindo para os anjinhos da guarda
cuidarem bem do seu menino. E a maneira que ele inventou
para dizer ao filho que estivera ali, ao lado da sua
cama, era dar um nó na ponta do lençol. Assim, quando
o menino acordasse, iria saber que o seu pai estivera ao
seu lado durante a noite e lhe dera um beijo, ora na
testa, ora no rosto, ora na sua mãozinha. E sempre
rezava, beijava e dava um nó na ponta do lençol. Com
esse gesto, o nó na ponta do lençol, o pai dizia ao
filho o muito que gostava dele, mesmo que não tivessem
tempo para estar juntos. E o menino gostava tanto desse
gesto que um dia disse ao pai que o nó na ponta do lençol
era mais importante do que qualquer presente que ele
pudesse lhe dar, mesmo que fosse uma bicicleta ou uma
televisão só para ele. E que ele, o pai, não se
preocupasse se eles se vissem ou não durante a semana,
pois todas as manhãs quando ele via o nó na ponta do
lençol, sabia que o pai estivera presente. Se você não
puder estar presente e conversar com os seus filhos ou
com alguém querido, registre isso de uma forma simples,
mesmo que seja com um nó na ponta do lençol...” Conte
essa história para o seu pai!
Laura Schlessinger é uma
conhecida locutora de rádio nos Estados Unidos. Ela tem
um desses programas interativos que dá respostas e
conselhos aos ouvintes que a chamam ao telefone.
Recentemente, perguntada sobre a homossexualidade, a
locutora disse que se trata de uma abominação, pois
assim a Bíblia o afirma no livro de Levítico 18:22. Um
ouvinte escreveu-lhe então uma carta que vou
transcrever: “Querida Dra. Laura:
Muito obrigado por se esforçar tanto pra educar as
pessoas segundo a Lei de Deus. Eu mesmo tenho aprendido
muito do seu programa de rádio e desejo compartilhar
meus conhecimentos com o maior número de pessoas possível.
Por exemplo, quando alguém se põe a defender o estilo
homossexual de vida eu me limito a lembrar-lhe que o
livro de Levítico, no capítulo 18, verso 22,
estabelece claramente que a homossexualidade é uma
abominação. E ponto final... Mas, de qualquer forma,
necessito de alguns conselhos adicionais de sua parte a
respeito de outras leis bíblicas concretamente e sobre
a forma de cumpri-las: 1.
Gostaria
de vender minha filha como serva, tal como o indica o
livro de Êxodo, 21:7. Nos tempos em que vivemos, na sua
opinião, qual seria o preço adequado? 2.
O
livro de Levítico 25:44 estabelece que posso possuir
escravos, tanto homens quanto mulheres, desde que sejam
adquiridos de países vizinhos. Um amigo meu afirma que
isso só se aplica aos mexicanos, mas não aos
canadenses. Será que a senhora poderia esclarecer esse
ponto? Por que não posso possuir canadenses? 3.
Sei
que não estou autorizado a ter qualquer contato com
mulher alguma no seu período de impureza menstrual (
Lev. 18:19, 20:18, etc.).O problema que se me coloca é
o seguinte: como posso saber se as mulheres estão
menstruadas ou não? Tenho tentado perguntar-lhes mas
muitas mulheres são tímidas e outras se sentem
ofendidas. 4.
Tenho
um vizinho que insiste em trabalhar no sábado. O livro
de Êxodo 35:2 claramente estabelece que quem trabalho
nos sábados deve receber
a pena de morte. Isso quer dizer que eu,
pessoalmente, sou obrigado a matá-lo? Será que
a senhora poderia, de alguma maneira,
aliviar-me dessa obrigação aborrecida? 5.
No
livro de Levíticos 21:18-21
está estabelecido que uma pessoa não pode se
aproximar do altar de Deus se tiver algum defeito na
vista. Preciso confessar que eu preciso de óculos para
ver. Minha acuidade visual tem de ser 100% para que eu
me aproxime do altar de Deus? Será que se pode abrandar
um pouco essa exigência? 6.
A
maioria dos meus amigos homens tem o cabelo bem cortado,
muito embora isto esteja claramente proibido em Levítico
19.27. Como é que eles devem morrer? 7.
Eu
sei, graças a Levítico 11:6-8, quem tocar a pele de um
porco morto fica impuro. Acontece que adora jogar
futebol americano, cujas bolas são feitas de pele de
porco. Será que me será permitido continuar a jogar
futebol americano se usar luvas? 8.
Meu
tio tem uma granja.
Deixa de cumprir o que diz Levítico 19:19, pois
que planta dois tipos diferentes de semente ao mesmo
campo, e também deixa de cumprir a sua mulher, que usa
roupas de dois tecidos diferentes a saber, algodão e
poliester. Além disto ele passa o dia proferindo blasfêmias
e maldizendo. Será que é necessário levar a cabo o
complicado procedimento de reunir todas as pessoas da vila para apedrejá-los? Não poderíamos adotar um
procedimento mais simples, qual seja o de queimá-los
numa reunião privada, como se faz com um homem que
dorme com a sua sogra, ou uma mulher que dorme com o seu
sogro ( Levítico 20:14 ). Sei que a senhora estudou
estes assuntos com grande profundidade de forma que
confio
plenamente na
sua ajuda. Obrigado de novo por recordar-nos que a Palavra de Deus é
eterna e imutável.”
Gosto
de voar! Voar me dá grande prazer e não é normal que eu
sinta medo. Digo “ não é normal...” porque, de vez
em quando o medo é muito grande. Eu voava de Montes
Claros, norte de Minas, para Belo Horizonte. Longe a
gente via, no horizonte, uma gigantesca nuvem sinistra,
mistura de marrom e preto, sobre Belo Horizonte. Se eu
fosse o comandante teria embicado o avião para o
aeroporto de Confins, céu azul. Mas o comandante
resolveu arriscar. Enfiou o avião na nuvem. Chovia
forte. Os raios iluminavam a escuridão. O avião
pulava. Um grande silêncio pairou sobre todos os
passageiros. Ninguém conversava. Silêncio medo. Silêncio
reza. Com uma exceção: um menino e uma menina. Os
pulos do avião, eles os recebiam com gargalhadas. Acho
que eles imaginavam que aquilo era uma espécie de
montanha russa, um parque de diversões, muita
adrenalina sem nenhum perigo. Acho que todos rezavam.
Uma vez viajei ao lado de um grande mestre de xadrez
brasileiro, monge. Céu azul, sem turbulência, o
ronronar macio das turbinas... Mas ele agarrou um terço
e ficou batendo beiço a viagem inteira. Como pode ser
isso que um grande mestre de xadrez, mente lógica, ao
entrar no avião esqueça a lógica e se transforme em
feiticeiro? Acho que ele pensou, ao aterrizar: “ Se não
fosse por minha reza...”
Eu estava com muito medo mas não rezava. Acho
que não, porque não acredito. Se rezar adiantasse aviões
não cairiam porque há sempre alguém que faz o sinal
da cruz quando o avião arranca para a decolagem. Por
que caem aviões? Porque as rezas não foram
suficientes? Deus só sustenta os aviões se os
passageiros rezarem? É Deus que mantém o avião lá em
cima? Quer dizer que o avião
norte-americano que levou as bombas atômicas
para Hiroshima e Nagasaki? Foi Deus que o manteve no ar?
Ele ficou no ar porque os norte-americanos rezaram mais
que os japoneses? Se eu fosse Deus o destino da
fortaleza voadora teria sido outro... Não rezei. Para não
perder o respeito por Deus. Eu não respeitaria um Deus
que só salvasse os homens que constantemente o chamam
ao telefone. Felizmente o próprio comandante se encheu
de medo, criou juizo e fez o avião dar meia volta, rumo
ao céu azul, rumo ao aeroporto de Confins. Juizo na
cabeça é melhor que reza em boca de quem não tem juízo... Anjo flautista: Vocês se lembram do Anjo Flautista que passava um ano inteiro olhando para o chão à procura de moedas para comprar uma flautinha de plástico de R$10.00? Lembram-se da alegria que ele teve quando uma professora lhe disse que iria lhe dar uma flauta de verdade que estava guardada na sua casa, fazia anos? A tristeza é que a dita flauta ficou tanto tempo sem uso que ela se esqueceu de como assobiar. Não serviu para nada. Agora ele está sem a flauta... Alguém teria uma flauta transversal guardada em cima de um armário? Se alguém tiver, me avise. O Anjo Flautista vai estourar de alegria!
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