A única coisa que realmente temos são os nossos pensamentos e não
os pensamentos dos outros.
A memória não se realiza no "tomar notas" num cadernos. Seu lugar é
outro. Quem disse uma teoria da memória da forma mais curta é a minha querida
Adélia Prado: " Aquilo que a memória ama fica
eterno".
É o amor que eterniza o saber.
Estava errado o magnífico Leonardo Da Vinci que disse que só
podemos amar o que conhecemos. Dentre todos os milhões de objetos de
conhecimento que me cercam, como escolher aquele que vou conhecer para depois
amar? A busca seria infinita. A verdade é o oposto. Quando um objeto me fascina
- e é isso que caracteriza uma relação amorosa, o fascínio - então eu me
debruço sobre ele para conhecê-lo. Não é por acidente que os escritores sagrados
tenham usado o verbo "conhecer" para se referir ao que acontece entre os
amantes
O mestre não é aquele que anuncia saberes. é aquele que seduz os seus
aprendizes para o fascínio do mundo.
Aprendemos porque queremos "fazer amor" com um objeto. Um pianista
aprende as dificuldades da técnica para fazer amor com o piano. Um enxadrista
aprende as imensas estratégias e variações do jogo para fazer amor com o
tabuleiro e as peças."
Rubem
Alves
Quarto de
Badulaques LXXXI
Correio
Popular
27/11/05